historinhasdamoleque

quinta-feira, abril 02, 2009

Pensei sobre Vitor.

Embora tenha ainda muuuuito o que aprender nessa vida, Vitor já sabe como fazer muitas coisas sozinho com computador e gosta de anunciar isso, se diverte. Quando enfeitou um mapa para imprimir para a mãe, eu elogiei e ele perguntou:

- Quer um prá você?

Eu quis. E ele:

- Vou imprimir 2. Aqui... 2... enter!

Outro caso de expressão dele do mesmo tipo foi quando estava conversando com Luís no Msn. Depois de ler uma mensagem do Luís, Vitor disse:

- Peraí que o mestre da besteira vai escrever. Mandando e enviando!

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posted by Leila País de Miranda @ 11:20 AM 0 comments

segunda-feira, junho 12, 2006

Motivos

Fase de jogo construído por Ulisses, 9 anos.










Motivos para não ficar parado. Será que o desejo sempre vem da carência? Muito do tempo que se perde na escola é devido a desinteresse geral, por razões variadas. Uma delas é a separação total entre o que acontece na escola e o que está acontecendo na vida. Todo mundo reclama disto quando é estudante, mas parece que não encontramos alternativas e continuamos a repetir a mesma fórmula, sejamos pais ou professores. O desinteresse atinge a todos, até mesmo as crianças. Todos obrigados a rotinas que não querem cumprir, estudando assuntos que não querem estudar, mas fingindo que está tudo bem, ou conformando-se diante do imutável.

Um ponto a favor de tentar mudar é a imensa folga que há no tempo de escola. As crianças ficam 4, 8, 12, 15 anos na escola e há tanto desperdício e repetição que é possível errar e corrigir rumos no processo de mudança e ainda assim conseguir resultados muito superiores.

Que resultados superiores? Um tempo melhor para todos, com vibração, alegria de conhecer, superação, troca, progresso, um tempo de reflexão sobre o progresso, tempo de ler, de ver, de relacionar, de criar, de emocionar-se, de entediar-se, de sair do tédio. E de construir seres mais conscientes e sinceros consigo mesmos, que não desaprendam a dizer se estão gostando ou não de algo, que saibam respeitar por estarem sendo respeitados.

Não é uma utopia, é perfeitamente possível. Não é criar um mundo de bonzinhos, mas de pessoas que encaram o mundo como ele é, e que tentam criar seus próprios mundos novos, e que sabem lidar com a vida com maturidade e informação. Que reconhecem valores familiares, limites, e que criam suas próprias saídas, e que, de preferência, valorizem o conhecimento e o afeto.

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posted by Leila País de Miranda @ 8:25 AM 0 comments

quinta-feira, maio 25, 2006

Refletindo 2, 3 e 4

Uma das fotos da animação com massa de modelar feita por Luisa (8) e Mônica (11). Uma história onde o tubarão come o leão marinho.



Sobre decisões democráticas

Eu tenho uma questão com relação ao assunto das decisões. Vi um filme, Doze homens e uma sentença, que retrata bem o que penso sobre decisões tomadas no voto, principalmente em ambientes de aprendizagem. No filme, jurados numa sala batalham com palavras, raciocínio e moral para chegar a um consenso sobre a sentença que seria conferida ao réu. O interessante é que, no início, 11 eram a favor da condenação e apenas 1 era a favor da dúvida, portanto a batalha é boa! No final, todos chegam a um consenso de que não há provas suficientes para condená-lo e ele é absolvido, ou seja, caminham na direção totalmente oposta juntos, por construção coletiva!
Eu acho que, na escola, deve se buscar o consenso sempre que possível, e em último caso, que acontece por várias razões, apelar para a sorte, ou para a palavra de um considerado mais sábio, ou até para o voto (mas eu tenho medo das maiorias).

Sobre o espaço de alimentação

É muito comum nas escolas exisitir uma equipe de profissionais que prepara todo o almoço/lanches, que sirva as crianças, lave os pratos, e decida/pense por elas o cardápio. Esta decisão implica em empobrecimento das oportunidades de desenvolvimento das crianças! O espaço do alimento é ideal para despertar reflexões as mais diversas, sobre relações de trabalho, sobre tudo que acontece no fogão, sobre o corpo, sobre a escolha do alimento... Não precisa virar obrigação, mas muitas crianças gostariam de que esta fosse a sua "sala de aula"principal. O Jamie Oliver, um cozinheiro inglês, afirmou que as crianças da geração atual estão morrendo antes de seus pais! E um dos motivos pode ser a péssima alimentação - barata, fácil de preparar (as merendeiras só esquentam), mas terrível para a saúde. Um prato de quente, frio, doce, crocante, colorido, com flor, fruto e variedade, é sustituído pelo amarelo e vermelho das massas, lazanhas, queijos, nuggets, batatas-fritas etc etc. No programa que o Jamie Oliver apresentou, foi impressionante ver as diferentes reações das crianças a figuras de vegetais e a figuras representativas de redes mundiais de lanchonetes.

Sobre motivação para aprender

É muito comum não haver movimentos organizados em termos de formação continuada por parte dos professores (e dos alunos também). E isto é apenas um reflexo de desmotivação! Muitas vezes os professores não gostam de estudar, não têm interesse pela vida, pelo conhecimento e às vezes nem por crianças ou por processos de aprendizagem. Outro fator que creio ser mortal para a aprendizagem é um ambiente de baixo interesse também por parte das crianças. Muitas vezes as escolas dão mais valor ao quê está sendo apresentado do que ao aprendiz, e aí vai ficando todo mundo muito desmotivado. E aí é um colocando a culpa no outro que é uma coisa interessante de observar.

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posted by Leila País de Miranda @ 9:32 AM 0 comments

Refletindo


Imagens obtidas pela aluna Betina, 7 anos, usando microscópio digital.

Me parece que as escolas, apesar das diferenças de enfoque sobre aprendizagem, ainda não usufruem ou se deixam modificar pelas possibilidades trazidas pela informática. Usam os computadores como ferramenta adequada a rotinas estabelecidas anteriormente à disseminação da informática. As crianças continuam aprendendo algoritmos de soma, mesmo que hoje as máquinas de calcular já sejam mais baratas do que lápis. E não se beneficiam de apoios para raciocínio mais elevado, como os oferecidos pela construção/uso pelas crianças de simuladores do desenvolvimento de sistemas dinâmicos tais como cidades ou formigueiros, só para dar um exemplo. Tal conhecimento era praticamente impossível de ser construído antes do advento da informática.

O que observo é que hoje os computadores são usados como máquina de escrever, correio e biblioteca, uso que considero ainda inicial, onde substituímos a ferramenta mas não estamos ainda alterados pelas novas possibilidades e necessidades que a ferramenta nos devolve. Não percebemos que, por causa da ferramenta, novas reflexões sobre o quê e como aprender são necessárias. Pesquisar, produzir textos e enviar cartas não são as únicas funções da mente humana, e a restrição não é imposta pelos computadores.

A atitude e o conhecimento necessários a uma criança que desenha e colore com papel e lápis são muito diferentes da atitude e conhecimento necessários para colorir no computador. As linguagens não-verbais, audiovisuais, ganham espaço e passam a ser fundamentais para a boa comunicação de quem vive numa sociedade informatizada. E os aprendizes ficam distantes deste conhecimento. É muito diferente a sua mente ter como apoio papel, cola, lápis e tesoura para modelar aviões, ou ter um computador com software adequado!

Penso que há necessidade das crianças aprenderem informática sim, como ferramenta para suas mentes e para sua produção intelectual. Os caminhos para aprender devem ser reflexão e prática de cada comunidade de aprendizagem.

Na moleque de idéias, por exemplo, nosso caminho sempre começa com a pergunta "O que você quer fazer hoje?"

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posted by Leila País de Miranda @ 8:59 AM 1 comments

terça-feira, julho 12, 2005

Criancas que desistem

Eu sei que ando falando demais das minhas irritações, mas como também faz parte...

Hoje eu tive a oportunidade de ver em ação o monstrinho da chatice e da crítica disfarçada de dúvida. É aquela criança que chega com um projeto e aí, de modo sutil, aquilo vai se dissolvendo em problemas, tudo é problema, tudo podia ser mais fácil, o tom de voz vai ficando mais baixo, e o olho só volta a brilhar quando ela encontra um problema de verdade, de preferência seu e não dela.

São crianças com quem não tenho prazer algum de trabalhar. Ainda penso que pode ser que mudem, pode ser que eu ajude, mas bom mesmo é trabalhar com aqueles que tem bom astral, disposição, alguma idéia, que demonstram interesse, que tem sangue nas veias e bom-humor. Aí anima e juntos a gente remove montanhas.

Os outros já são meio mortinhos, chatinhos, enjoadinhos...

Ou então são mimados, e cheios de pequenas tolas vontades, que se não forem satisfeitas são motivo para bicos, muxoxos, ameaças...

São chatos.

Bom que a maioria é muito legal e alguns então, especialmente cativantes.

Está no ar o pequeno grande site do Clube de idéias feito por crianças para crianças. Confira em www.moleque.com.br

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posted by Leila País de Miranda @ 7:10 PM 0 comments

quarta-feira, julho 06, 2005

As pulseiras

Pode ser que eu esteja ficando velha e ranzinza. e preciso tomar cuidado com isso. Creio que quem trabalha com Educação deve estar sempre aberta (o) às novidades.

Mas estas pulseiras de plástico que apóiam causas são irritantes. Já temos as mil mochilas da Barbie, as lancheiras do Mickey, os tênis prateados com luzinhas, celulares espetaculares e agora estas pulseiras que algumas crianças usam sem nem saber para quê, ou mesmo quando sabem, soa tão falso! Eu realmente creio que são apenas mais um item de consumo desenfreado.

Juntamos a isso uma certa atitude violenta e de descaso com os outros e a salada está completa. Tenho visto muitos professores reclamando da falta de educação das crianças, do desprezo que elas parecem ter por tudo, da falta de domínio da turma, da falta de condição de fazer seu trabalho decentemente, do cansaço e da impotência.

Enfim... O que eu espero ter não é tolerância, mas compreensão do fenômeno.

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posted by Leila País de Miranda @ 11:45 AM 0 comments

terça-feira, julho 05, 2005

Esqueci... entao eu vou jogar!

Hoje o Renan me lembrou de uma atitude que sempre me chamou a atenção. É o caso da criança que chega e na hora de dizer o que quer fazer, como quer usar o computador diz: "eu ia fazer um trabalho com caneta, mas como eu esqueci a minha pasta, então eu vou jogar mesmo." Isto para mim, demonstra a personalidade que não assume o seu desejo, precisando de uma desculpa qualquer para fazer o que quer, assim como se não tivesse outra alternativa.
Que coisa! É a famosa desculpa esfarrapada.

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posted by Leila País de Miranda @ 2:45 PM 1 comments

terça-feira, junho 28, 2005

www.mundocanibal.com.br

Um aluno de 7 anos trouxe o endereço do site todo contente, querendo mostrar para todos os colegas. A parte de entrar até que foi legal. Ele não conseguia escrever sozinho e o endereço acabou sendo uma construção coletiva. Também era bacana o fato dele falar para os outros que podiam esperar um pouco, "brincartrabalhar" nos seus computadores, porque o que ele queria mostrar estava carregando. Quando finalmente começou era uma animação em flash chamada "avaiana de pau" com locução engraçada, imitando criança.

Senti um misto de vontade de rir com horror e desagrado, nojo, e um certo medo também, quando vejo o que as crianças vêem. No caso do menino que trouxe a informação, foi um tio dele, adulto, que apresentou o site.

Por mais que eu queira não ser exagerada, é muita violência! É dedo sangrando, ficando no osso... Parece Tom e Jerry ou Coyote e Bip-Bip elevado à 10a. potência, como se os matadores de Tim Lopes estivessem escrevendo o roteiro.

Eles viram os filminhos, e depois fizeram suas próprias atividades, inclusive o Lucas (que trouxe a idéia), que estava mesmo construindo fases de Lode Runner (um joguinho de inteligência), com o Gustavo.

No final da aula eu fiz uma roda e pedi a cada um uma palavra que expressasse o que havia sentido assisindo àquele filme. Todos disseram "Adorei", menos o Eduardo, que desde o início não tinha gostado. Eduardo chegou a ficar meio pálido, pensei que fosse enjoar. Ele preferiu minhas palavras "nojento e desagradável".

Hoje li sobre "bullying" no site http://www.campmakebelievekids.com/Bullying.htm, Não sei o nome em português, mas deve ser algo como sadismo. Também li um outro blog - dot.dot.dot http://www.pontomidia.com.br/ricardo/ que apresentava um texto sobre gêmeos que questionava mais uma vez quem é mais determinante no comportamento - os gens ou o meio.

Será que faz mal às crianças assistir este tipo de coisa?
Será que faz com que pensemos em outros tipos de violência, mais reais, tais como fome, prostituição infantil, exploração, falta de saúde, de saneamento, de amor e vida na rua?
Será que a visão da violência transforma o bom no mau?
No momento ainda estou confusa, reflexiva, não sei bem como agir. Decidi que não vou mostrar para nenhuma criança, mas caso alguma outra chegue naquele estado do Lucas, toda feliz, querendo mostrar, não sei prever o que farei.
O que sei é que agora, não sei explicar porquê, meio com um espírito engraçado, vou baixar aqui a animação e mostrar para o Luís Eugênio e para o Nilton, meus sócios.
____________________________________
Engraçado é que ontem (escrito no dia seguinte) fui até a sala das crianças de 5 anos no Maia e a professora deles estava meio irritada com a barulheira e aí eu chamei atenção para mim e disse, brincando e me divertindo também: "Olha que existe "Avaiana de Pau", heim??"e contei a história mais ou menos.

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posted by Leila País de Miranda @ 10:25 PM 16 comments

terça-feira, junho 21, 2005

Muito chato este dia.

Tem dia que é assim, enjoado.
Um dos computadores tinha voltado do conserto e mesmo achando que tinha chance de não estar funcionando de verdade, quis me enganar. Liguei, vi que funcionava, fiquei toda alegre, e pimba! Logo depois tava lá a setinha parada, ele travado, e nada de funcionar durante o dia inteiro. Triste.

Também fiquei meio injuriada com as crianças. Sabe aqueles dia que a gente vê tudo por umas lentes meio acinzentadas?
Pois é.

Me irritei com vozes, atitudes, fiquei achando que o meu trabalho é uma porcaria sem valor...

Mas como canta o Roberto Carlos, Obrigada Senhor, por mais um dia!

E como canta o Renato Russo, agora visitado pelo Pensador: "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. E se você parar prá pensar, na verdade não há."

Por isso, o presente é o que a gente constrói. Vamos esperar o mau-humor passar e voltar a amar, que é o que importa.

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posted by Leila País de Miranda @ 6:41 PM 0 comments

Victor Jose

Credo!
Victor José ficou pondo a culpa em Lucas de tudo que tinha acontecido de errado com a filmagem deles!

Credo!
Não adianta e é perda de tempo. O sujeito se defende do nada !!!!

Meu Deus!

Que atitude inútil e irritante e sem pé nem cabeça, muito menos cabeça!!!!

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O fato das crianças colocarem a culpa nos colegas à toa, como primeira opção, sempre me chamou a atenção. Eu sempre digo que não ajuda em nada, que não estou interessada nisso, que o importante é reconhecer que não sabíamos ou que o caminho tentado estava errado, o que é inerente a processos de apendizagem, e até condeno explicitamente a pessoa que "entrega" os outros - o famoso dedo-duro - mas é incrível como sempre vem a condenação do outro, sob as mais variadas formas:
- "Viu? Eu não te disse que não era ali?" (olhando para o outro)
- "Ele ficou clicando em tudo!" (olhando para mim)
- "Ela fez esse monte de bobagens!"
e por aí vai; com certeza eu poderei acrescentar várias e várias frases de entregação.

Ontem por exemplo, foi o Victor, mas esta atitude é muuuuuiiito comum.

E a gente vê como não está só presa ao mundo das crianças. Para os professores também, a "culpa" das coisas - incluindo a impossibilidade de mudar a escola - é sempre dos outros: dos diretores, dos alunos, dos pais dos alunos...

Esta é uma das atitudes do humano que eu gostaria de ajudar a mudar, a começar por mim.

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Agora mesmo, com o grupo de 4 e 5 anos, a Letícia me disse: "É que eu fui fazer o que ela (Anna Clara) queria e não estava conseguindo e aí aconteceu isso. (um erro qualquer)."

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posted by Leila País de Miranda @ 1:56 PM 2 comments

segunda-feira, junho 20, 2005

Exercício de democracia

Espaços de aprendizagem podem ser democráticos. A participação pode ser voluntária. A dúvida pode ser sempre ouvida e reconhecida. As discussões podem terminar em consenso e podem não precisar dos votos de maioria.

Só a imagem de espaços de aprendizagem com um professor e de um grupo de alunos é completamente antidemocrática.

O ensino através do exercício da submissão não pode construir uma sociedade democrática.

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posted by Leila País de Miranda @ 4:28 PM 0 comments